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Laboratório de Física da UERJ é o principal usuário da Rede GIGA para transmissões a altas taxas

11/03/2010

Desde que foi criada, em 2004, a Rede Experimental do Projeto GIGA (Rede GIGA) vem suportando trabalhos científicos de inúmeras instituições brasileiras de pesquisa. Trata se de uma rede criada no escopo do Projeto GIGA, viabilizado com o apoio do FUNTTEL, do Ministério das Comunicações, por meio da FINEP, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Nesse projeto, o CPqD, além de coordenar e gerenciar a Rede GIGA, provê, com apoio da RNP, a operação da rede a partir de seu Centro de Operações, situado em Campinas.

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), através do Departamento de Física Nuclear de Altas Energias (Instituto de Física), é uma das instituições que vem se beneficiando dessa estrutura para os seus experimentos. Sob a coordenação do professor Alberto Santoro, o Laboratório da UERJ mantém trabalhos de cooperação em experimentos do CERN, organização europeia para pesquisa em física de altas energias, que inaugurou em 2008 o maior acelerador de partículas subatômicas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider). O Departamento vem atuando na grid de experimentos do CMS (Compact Muon Solenoid) do LHC, compondo o grupo de pesquisa de Física Frontal. O volume de tráfego dessa grid na rede ultrapassa os 20 pentabytes ao ano, ou o equivalente a aproximadamente 28 milhões de CDs. O trabalho colaborativo do qual o Laboratório participa reúne cerca de 3.600 físicos de 150 instituições de 30 países.

De acordo com o professor Santoro, que há mais de 30 anos atua com física de altas energias, os experimentos realizados nessa área são os maiores consumidores de recursos de processamento, de armazenamento e de transmissão de que se tem notícia. Além disso, esses experimentos requerem muito rigor na transmissão do tráfego na rede. “Perda de pacotes pode significar transtornos ao nosso trabalho. No que se refere à Rede GIGA, estamos bastante satisfeitos com seu desempenho e o suporte da equipe”, afirma o especialista.

Em um dos eventos mais importantes, em nível mundial, na área de computação de alto desempenho, realizado em novembro último – o Supercomputing (SC09) da High Performance Computing, Networking and Storage Conference –, o desempenho da T2 HEPGRID-UERJ atingiu o teto de transmissão – 1 Gbit/s.

Nessa edição do evento, foi realizada uma transmissão disco a disco: a partir dos discos do site da SC09, os dados contidos eram transferidos para os discos do Laboratório da UERJ – um fato inédito que exigiu grande treino da equipe de Santoro. O professor destaca que contou com total suporte da equipe da Rede GIGA para que a transferência de dados acontecesse dentro do previsto. Para se ter uma ideia do volume de dados transferidos durante o evento, segundo o professor Santoro, pode-se compará-lo ao volume de informações de uma centena de edições da Enciclopédia Britânica. Atualmente, a Rede Experimental GIGA interliga quase 70 laboratórios em mais de 20 instituições de ensino e de pesquisa, localizadas em 7 cidades nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por meio de enlaces de fibra óptica operando nas taxas de 1 e 10 Gbit/s. Para permitir experimentos colaborativos com laboratórios de outras instituições nacionais e internacionais, desde 2005, a Rede GIGA está interligada ao backbone nacional da RNP (Rede IPÊ), que interliga instituições de pesquisa e ensino federais, estaduais e particulares do País através de enlaces de diversas velocidades (inclusive 10 e 1 Gbit/s). A ligação entre as redes GIGA e IPÊ, atualmente, se dá por meio de fibra óptica a uma taxa de 1 Gbit/s, que será atualizada para 10 Gbit/s neste mês de março. Através dessa ligação, é possível realizar experimentos colaborativos internacionais, alcançando-se redes experimentais e de ensino e pesquisa mundiais, tais como: RedClara, Internet2 e Geant, entre outras, por meio de enlaces de fibra óptica com capacidade de até 20 Gbit/s.

Financiado por organismos como CNPq, FINEP, FAPERJ e CAPES, Santoro destaca que, junto à organização europeia, sua equipe tem muito trabalho pela frente. “Estamos animados em prosseguir trabalhando com o CERN e poder participar das descobertas desta primeira e segunda décadas que esses experimentos ajudarão a revelar”, comenta o professor.